Manifesto #3 - Da sodomia elefantina: não-monogamia & outros microfascismos
oVerborrágico
Da sodomia elefantina: não-monogamia & outros microfascismos
Por Vantos
Ilustração de Salomão Cardoso
Deambulava, então, entre o pululante sobe e desce das ladeiras e degraus infinitos, duma Lisboa recolonizada, ali pelos arredores da Baixa Chiado, este tal pronome pessoal: eu. Não passara nem das nove da noite duma quinta-feira ataráxica, quando do avistamento de um elefante cor-de-rosa, esculpido no que parecia ser gesso e posto por cima de um barril de carvalho francês envelhecido.
O quê que é isto? Interrogara-se o Je ao Moi: Bordel? Drogaria lisérgica extralegal? Ateliê para ex-dependentes químicos escoceses? Smart fit? Minibox 3 irmãos? Assembleia de Deus? Sabia lá o tal eu, mas era precisamente naquele momento – “terra à vista” – o preâmbulo de longas presepadas vindouras, no que revelar-se-ia como o Delirium Café.
Ora, boa cerveja belga, despejada por torneiras às canecas, sendo cada uma daquelas sobrepostas por várias miniaturas do elefante rosa posto à entrada. Aquilo ali estava infestado de signos elefantis em encadeamentos os mais diversos, visto nas taças, nas paredes, em quadros, nos guardanapos, no banheiro. Sobre este último, sublinho o inconveniente de haver um péssimo mictório metálico: mijava de volta o mijo etílico para o mijador etilista – dizem que a estética de Angine de Poitrine surgiu como camuflagem para os respingos urinários Dalí, Salvador. Da assombrosa La Chouffe Belgian – uma strong ale de 8% - aos camaradas esquizos postos a conspirar em meio a turistas assexuados e intoxicados. Lócus por excelência para delirar desde o boto-cor-de-rosa – o teu pai – até a pantera cor-de-rosa – aquela pipoca polemista. Quanto ao elefante rosa, por certo, vos digo: não tive vontade de enrabá-lo.
Peço licença ao leitor para explicar-lho, fora esta a maior proximidade que alguma vez já tive com elefantes: ponho-me contra os zoológicos, ainda não estive na Ásia nem na África. Achava o Animal Planet e o Silvio Santos ambos zoosádicos e no Discovery Channel permitia-me assistir somente aos mythbusters – Adam e Jaime nunca explodiram elefantes, acho eu. Todavia, já não consigo eufemizar a presente situação e recuso-me a encher linguiça, pois prefiro grão-de-bico. É grave, camaradas. O que se seguirá constrange-me. O velho-rágico está de volta com maldizeres. Os eunucos que se lubrifiquem.
Enfim.
É.
Sim, nós, do verborrágico, trazemos ao vosso juízo, caro leitor, a infeliz e mórbida existência dessa prática monstruosa, esta ojeriza, a tal da sodomia elefantina, expressão-mor desta elefantofilia generalizada vista desde os botecos de Macapá retroagindo pelos círculos dos Jovens Hegelianos em Berlim (séc. XIX). Tal como o Triste fim de Policarpo Quaresma.
Objetar-se-á: como é possível que haja enrabadores profissionalizados em orifícios rugosos de elefantes em Macapá? Se na Amazônia o que há, no máximo, são antas ou peixes-boi? Mesmo se houvesse, como seria a logística anatómica para a sodomização de um elefante? Haja visto as limitações e diferenças morfológicas abissais para com o humano? Escuso-vos de mais imagens perturbadoras como as que fiz visualizar. Decerto não verás, em lado nenhum, um elefante-da-savana, uma elefante-da-floresta-africana ou um elefante asiático – talvez, com muita sorte, no Boteco dos Crias às sextas-feiras.
O elefante de que iremos tratar não poderia ser senão um elefante branco – o idiomático. Redundante, óbvio e dispendioso. Pela alegria e alívio de todos, o objeto deste texto é um certo fetichismo, um fragmento arrancado do real, hipostasiado, objeto parcial carregado de atração/repulsão, posicionado na esquizoparanóia dos ressentidos. Malditos! Deixem estes mamíferos adoráveis. Ora, a enrabação generalizada de elefantes não poderia se dar senão na e/ou pela egodistonia destes que se põem contra a angústia do Real e que tentam a evitá-la a qualquer custo – típicos dos enrabadores. Como num delírio de omnipotência perversa que tenta fazer fugir os efeitos da castração iminente, o enrabador muitas das vezes tenta enrabar a si próprio tal qual o gozo lacaniano. Ilustraremos mais um sintoma mórbido de que algo se passa, algo é inautêntico, algo é redundante. Cheira mal a práxis e a política conceitual que orienta os sujeitos e os enunciados do cenário local, universitários e fazedores de cultura, descolados professores, dos músicos com histórico de transtorno de linguagem que pagam de não-mono no Tinder. É hora de tirar o elefante da sala e isto é uma dedicatória.
Pôr-nos-emos em alerta para denunciar este fetichismo zoófilo que baliza o provincianismo das enunciações destes ingénuos, aqueles que – não sem ressentimento – reconhecem pela negativa aquilo que negam veementemente. Refiro-me aquele tipo de postura política à esquerda que presta serviço voluntário ao status quo. Ainda que quem o presta esteja munido de enérgicos ditirambos, plenos de convicção e na crença da eficácia de suas palavras mágicas – nada além de pusilanimidade.
Talvez só o neoexpressionismo, atravessado pela Art Brut, dos delírios do tal Salomão Cardoso pudesse fazer saltar um regime pictórico à altura da écriture automatique destas verborragias. Refiro-me a estas visualidades esquizóides & salomónicas que desbaratam o realismo ingénuo dos enrabadores otaku.
Para fazer ver empiricamente o fetichismo denunciado, chamo a atenção, e.g., para o tal sujeito não-monogámico, este típico homem com longo histórico de despotismo conjugal, que energicamente opera uma disjunção exclusiva com a pavorosa monogamia denunciada para
TÃO SÓ
reproduzir a mais brutal das violências monogâmicas – física, psicológica e sexual – encapsuladas com uma estética algo de cafona, algo de católico. Na meticulosa condução de sua revolução não-monogâmica – que define a si pela negativa, curioso – surgem as mais estridentes posturas, toda a sorte de narcisismos predatórios disfarçados de éticas do cuidado e da escuta.
Desta modalidade de enrabador de elefantes, o qual o leitor logo entenderá, irrompem, sobretudo, dois quadros psiquiátricos, postulo:
1) Erotomania ou síndrome de Clérambault: a convicção delirante de que todas as mulheres subjugadas pelo falo monogâmico, secretamente, desejam-no; a crença de que é objeto de desejo por sua bravura guerrilheira para libertar os clitóris alheios. “Liberdade! Ó liberdade advenha sobre meu pénis anómalo e faça vazar meu complexo maternal” assim conclamam as terças-feiras às 10h30 da manhã (horário de Brasília). Afinal, usualmente costumam avisar para toda a humanidade – ninguém liga – algo como: “calma monogâmico, eu não quero comer tua esposa”.
2) Logorreia: esta produção verbal excessiva, pleonástica, ininterrupta, tautológica, espalhafatosa, moralizante, chata, quase como um quadro de mania, hipomania, ansiedade ou mesmo estados psicóticos. E nesta glossolalia há os mais esdrúxulos jargões duma sociologia freestyle live at Prefeitura Municipal de Curralinho. A Santa Maria, a mãe imaculada de Deus, rogará: bendito sois vós entre as mulheres – ao que tomou demasiado ao pé da letra. Benedito!
Não obstante, cabe aqui uma observação: não nos referimos a literatura não-monogâmica. Sua crítica pressupõe umas torções pós-estruturalistas que não intencionamos aqui. Antes, com a experiência de um esquizo-etnógrafo, interessa rotar a perspectiva para o plano de imanência. Este no qual os sujeitos se dissolvem em suas matrizes relacionais, a sobrevir os agenciamentos de suas ideias no fluxo cotidiano e na semiótica englobante.
Quero dizer, para além do formalismo duma apreensão epistemológica do que dizem os não-monogâmicos em suas infinitas querelâncias, trata-se de fincar a observação no pragmatismo de sua performance e seus atos de linguagem. O que interessa é a ilocução e a perlocução. Na tucujulândia provinciana, o que é que se faz com a não-monogamia? Spoiler: mais monogamia, por cismogenese simétrica – em homologia aos efeitos recursivos do #EleNão nas eleições de 2018, este que deu à luz o mandato do #EleSim. Que falta faz Gregory Bateson!
Em suma, a sodomia elefantina só se torna visível ao transpassarmos a autorreferencialidade daquele que diz, i.e., ao ver o que este dizer diz e, máxime, o que se faz com o dito e o não-dito. Isto é demasiado importante: os sodomitas sabem, como ninguém, escamotear o próprio arbítrio pela invocação de elefantes brancos distrativos: o patriarcado, o fascismo, o sexismo, a misoginia – figuras discursivas convenientemente mantidas nas alturas, longe de si e invocadas somente quando lhes apetece. Pois o elefante possui, quase sempre, essa função cenográfica de fazer volume, distrair, monopolizar a paisagem e disfarçar intenções sombrias. Interessa puxar para fora dos jargões moralizantes desta militância vazia o vazio deste que milita em seu teatro de sombras, a desnudá-lo e expô-lo ao ridículo de sua performance mimética para hipnotizar meninas dez anos mais novas, como usual.
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– Sim, possuímos registros de trinta anos de diferença.
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Ora, interrogo-vos – e até o senso comum já desconfia –, o que seria esta bela representação de si enquanto não-monogámico, nas trincheiras contra a opressão mono, senão um autoengodo? Uma fachada simbólica à Goffman, articulada para propagandear a si com fins puramente libidinais e fetichistas. É quase como uma formação reativa desses esquematismos egóicos, amplamente registrados na literatura, para expiar de si desejos misóginos: eis aqui o macho não-monogâmico. Eis o uso masculinista e predatório de uma gramática, que se quer emancipatória, para reproduzir a velha economia libidinal monogâmica, da posse, da tutela e da desresponsabilização. Tudo isto sob estética progressista cool guys. O que se passou? Tão só os microfascismos destes contrarrevolucionários.
Tal como a disfunção pós-copa de 2014 da Arena da Amazônia, em Manaus, o que seria a enunciação desta não-monogamia, com todas estas trapaças, senão um robusto elefante branco? No caso dos não-monogâmicos, trata-se de produzir miasmas de manipulação e violência afetiva, no sigilo, para ritualizar publicamente sua pseudopureza via militância não-mono: o quê que é isso? Como se não bastasse criar elefantes multicor distrativos, trata-se também de enrabá-los
e sem capa.
É custoso pintar as unhas, decorar Bell Hooks, controlar ereções. Quando do desvelamento das farsas e repetições, recai-se em operações discursivas tão elaboradas quanto as empregadas em rituais xamânicos, como atesta a literatura etnológica. Dir-se-á: não me desconstruí o suficiente; ainda há em mim resquícios das estruturas-estruturantes-funcionais-dialéticas-hegemónicas-transcendentais-ortopédicas-místicas-x da monogamia, whatever the fuck e, ao fim, o clássico: desculpa por ser homem. Numa total desresponsabilização do si. Supostamente subsumido pela coerção estrutural incontornável da monogamia, o não-monogâmico reproduz a monogamia contradizendo a premissa que funda sua própria prática: a de que é possível desestruturar precisamente a coercitividade monogâmica – mas, atenção, apenas enquanto tem o submisso “Sim, senhor!” da vítima eleita.
Ainda assim, apesar de não o admitir, o dito cujo, no fundo, requer os privilégios masculinos do papai e o trabalho doméstico não-remunerado da mamãe. “Nos vértices da triangulação edipiana”, dirá, “mamãe dançava com o missionário, papai deixava-se enrabar pelo cobrador de impostos e eu era espancado pela linguagem” (L'Anti-Œdipe). Ou, talvez, pelo falo paterno monstruoso de Beau is afraid (2023). Ora, como que ressoando a recorrência clínica do tema “Uma criança é espancada”, antevisto por Freud, fantasia esta que delineia um grau de excitação tal que produz atos masturbatórios, pois o não-monogâmico performático é, sobretudo, um perverso ou atua numa economia perversa – se me permitem conjecturar. Em boa linguagem de boteco, é tão só um punheteiro mnemónico: goza consigo próprio em suas fantasias autoinduzidas e deslocadas.
Ora, o tal acredita piamente que escapou perversamente da castração e não se rendeu ao nome-do-pai – Jurandir, Geraldo ou Aristides? Entretanto, fetichiza a companheira, a projetar nela o falo imaginário da mamãe – a modo que basta levar uma cintaralho enquanto se estuda cinema ou filosofia (sic) para montar uma cena fantasmática em que a falta do outro é tamponada pelo seu gozo.
A busca eterna e desastrosa do falo perdido da mamãe, um torrencial de pantomimas e exasperações diretamente proporcional à sua disposição invariável de cagar regras sobre como o outro deve se relacionar com o próprio gozo. Um projetinho de ditador. É com algum fetichismo qualquer que, então, se cria uma realidade psíquica paralela em que se suspende os efeitos da castração – não é dessa vez seu Joaquim! O enrabador, decerto, sabe que o outro não lhe pertence, sabe que há limite e que a recusa existe e é por esta fresta que nos pusemos a ouvir os diversos relatos de nossas informantes verborrágicas – relatos em primeira mão sobre a etologia dos enrabadores.
E o velho-rágico conjectura que os elefantófilos, na modalidade não-monogamia, apesar de não exigirem exclusividade sexual – e o que há de mais banal e singelo do que sexo e tão só sexo? Ora, não é nenhum desafio: lavou? Já está novo. O que os não-mono perfomáticos exigem é algo muito mais radical e, diga-se, hipermonogâmico. Exige-se uma exclusividade hermenêutica. Um monopólio da significância e da interpretação. Somente o elefantófilo pode interpretar a relação, a recusa, o trauma, o gozo e a liberdade. A fidelidade é somente fidelidade a narrativa masculina – é preciso repetir: PA-PAI; p-a-p-a-i. Como o inevitável retorno do recalcado, a monogamia retorna cada vez mais sofisticada.
É dito que um psicanalista, por mais policialesco que o seja — e todos o são —, não pode presumir uma estrutura tão somente no nível da fenomenologia dos sintomas, como aqui o irresponsavelmente fizemos. É dito que deve, paulatinamente, seguir o rito jurídico e pericial tal como deve ser. Mas, ora, o que definirá, por certo, a hipótese da homologia entre a estrutura perversa e a sodomia elefantina é a posição que o enrabador ocupará diante do Outro na fantasia. No mais das vezes, parece insinuar-se no jogo entre aquele que se apresenta como mestre supremo do saber amoroso e a vítima/aluna/discípula que, doravante, deverá ser conduzida, corrigida e moldada – deve renunciar deliberadamente à sua agência, uma vez delegada ao novo tutor.
Do alto de sua cátedra, o sodomita se põe num horizonte ético superior – afinal, a diferença etária até exorta aquela coisa de “respeito aos mais velhos”. Isto para nem citar a carteirada de enunciar a não-monogâmia como mérito moral: o mais honesto, o mais afetuoso, pelo simples fato de o sê-lo. Só não vê quem é cego, não de qualquer cegueira congénita, mas de uma ablepsia patriarcal – do patriarca que vai buscar, duas gerações à frente, jovens mulheres para terminar de criá-las, pois só modelizando uma subjetividade antes do desenvolvimento do córtex pré-frontal é que pode fazer-se a si validado em mise en abyme.
A performance cansada do elefantófilo recai mesmo numa tentativa de instaurar uma cisão, uma assimetria ou, para utilizar um termo clássico na literatura, uma distinção à Bourdieu: é pôr-se por cima dos elefantes e dizer “eu é que sei” sobre o amor, a liberdade, o desejo. Ao passo que relega a aluna/vítima o lugar de aprendiz, cedência, ajuste. É um nós/eles despolitizante, amplamente instrumentalizável pela axiomática neoliberal. Quase uma higienização do tipo: anything gluten free? Num sotaque americano o mais tosco. A hipótese da perversão, se puder ser sustentada apesar de minha alergia à psicanálise,adviria desta montagem imaginária em que o outro é convocado a ocupar o lugar de objeto a ser educado, não-monogamizado, capturado ou culpado pela queda egodistónica do fetiche ideal do enrabador de elefantes:
mamãe cadê seu pau?
nunca obteve resposta...
Considerações conclusivas
Não poderia haver evento mais límpido do que este para ilustrar aquilo que o velho Baudrillard, perturbadíssimo pela atuação de Keanu Reeves em Matrix (1999), alertou: “tudo se metamorfoseia no seu termo inverso para sobreviver na sua forma expurgada” O macho não-monogámico como o último avatar da monogamia? Último refúgio para masculinidades em plena dissolução? “Manowar pra mim é tudo, desde religião, metal, tudo, tudo (...) sabe o quê que é isso?” indagará um metaleiro epistemólogo a ninguém mais do que Regis Tadeu, o qual dirá: “Não. Não sei, o que é tudo, tudo, tudo?” Aqui este tudo de que fala Baudrillard não poderia ser senão todos os poderes e instituições, identidades e posições, derivados e etc., que falam de si próprios pela negativa, para tão só tentar, por simulação de morte, escapar sua agonia real. Parece que o não-monogámico sofre da mesma empáfia daquele que corria em demasia para tentar fugir de si, mas em todo o lado que chegava, lá estava o próprio e seus pronomes. E, talvez, partilhe da mesma disfunção erétil da dialética hegeliana: com muito esforço se ultrapassa a tese, entretanto morre-se na antítese, frustrado com o inatingível happy ending da síntese, simula uma câimbra na perna esquerda – para deixar a masculinidade intacta – e põe-se a dormir.
“Ei, Régis, vai tomar no cu!” WAR, Mano.
Trocando por um sarapatel de bode, digo-vos: parece que este fetiche – e o verborrágico se torna cada vez mais um manual diagnóstico – já foi denunciado pelo jovem Marx, em a Ideologia Alemã (1885), quando do desvelamento do profundo teísmo dos ateus hegelianos: o erro de Feuerbach fora o erro do primeiro dos enrabadores de elefantes. Qual a diferença de seis para meia-dúzia? Ora, é meramente uma mistura de nada com porra nenhuma. Em um shaker, três pedras de gelo, põe-se: 50cl Grey Goose; 25cl de Kahlúa; 20cl de baileys – elas gostam; um expresso; dupla filtragem; uma taça em V e voilà um Expresso Martini ou esta filosofia da negação que retroalimenta aquilo que se pretende matar por inanição. “Os filósofos”, disseram, “apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras”, um elefantófilo sodomita dirá: “o que importa é enrabá-lo”. E Deleuze concordará.
A autoatribuída perspicácia do ateísmo feuerbachiano salta como necedade ou enquanto o último refúgio do teísmo, uma vez que simplesmente não há ruptura com Deus, apenas sua inversão numa dialética negativa: a dialética só será útil no dia em que se transformar em pó compacto para o retoque da terceira idade. Algures tudo se resolve em uns tchin-tchin, à votre santé ou cheers. E há a tal sodomização dos elefantes brancos que, pela negativa, extensiviza e dá longa vida ao negado nesta homologia entre ateus e não-monogâmicos, entre muitas outras.
Fim
Vi que usas conceitos de Freud, Lacan, Marx, Bateson, Bourdieu etc. como ornamentação retórica, sem demonstrar a ligação entre eles e a tese. psicologiza possíveis adversários: atribui perversão, narcisismo ou erotomania sem qualquer base clínica, não é crítica social, é uma perícia imaginária travestida de literatura. Um texto moralizante, que serve mais para criar um estilo literário do que para construir um argumento rigoroso. Uma verdadeira esquizó-análise.
ResponderExcluirMamãe cade seu pau?
ExcluirO fato de poder publicar um comentário anônimo é a cereja do bolo dessa página!!!
ResponderExcluirKKKKKKKKKKKK manjei o mestre do saber amoroso
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